Pedra nos Rins - Perguntas Frequentes

A litíase, ou a vulgarmente designada pedra nos rins, é uma das patologias urológicas mais dolorosas e prevalentes. Mais de um milhão de casos de pacientes com pedra nos rins são diagnosticados a cada ano nos EUA. A incidência de litíase é de cerca de 12% aos 70 anos para os homens e de 5-6% nas mulheres nos EUA. A maioria das pedras inclui na sua constituição o cálcio, podendo, contudo, estas pedras ser constituídas por diversos constituintes químicos.

P- É uma queixa muito vulgar ouvirmos alguém dizer “estou cheia de dor nos rins”. Esta queixa traduz o problema das cólicas renais motivadas pelas pedras?

R- Geralmente não! Vulgarmente, ouvimos um doente queixar-se de dor lombar como dor renal, mas, na maioria das vezes, não é de facto o que acontece. Geralmente, estas dores são de origem musculo – esquelética e não têm propriamente a ver com a dor de origem renal.

P- Então, mas qual é a diferença entre uma dor do rim, ou seja, renal e das outras?

R- A dor de origem renal causada por infeção ou por outro motivo, como por exemplo as pedras, é uma dor sentida na região lombar, que não tem geralmente posição de alívio (posição antiálgica) e que, muitas vezes, irradia para a região anterior, podendo inclusivamente o doente referir irradiação para a zona da virilha (testículo no homem e vagina na mulher). Esta dor pode ainda ser acompanhada de febre, náuseas e/ou vómitos.

P: Qual é então o quadro clínico típico de uma cólica renal?

R: Durante um episódio de cólica renal, os sintomas normalmente incluem dor violenta extrema de início súbito, em que o doente nega qualquer posição antiálgica. A dor, geralmente, começa de repente, causando irritação e obstrução. Tipicamente, a dor tem a localização lombar ipsilateral com irradiação anterior para a virilha ou abdómen. O aparecimento de sangue na urina, náuseas e / ou vómitos é também frequente.

P- Mas então sempre que existem pedras no rim, existe dor, ou seja, cólica?

R- Não necessariamente. O doente pode desenvolver pedras, e estas até podem atingir um tamanho importante, mas apenas sentirá sintomas se essas pedras bloquearem parcialmente a passagem de urina, e assim desencadear dor. Essa dor, essa cólica é também relacionada com a forma, tamanho e a localização da pedra.

P- Essas pedras como e porque é que se formam?

R: As pedras formam-se quando há um desequilíbrio entre certos componentes químicos urinários, tais como cálcio, oxalato e fosfato. Alguns destes componentes químicos promovem a cristalização, enquanto outros a inibem. Um tipo menos comum de pedra é causada por uma infeção no trato urinário. Este tipo de pedra é chamado de estruvite ou pedra de infeção. Menos comuns são as pedras puras de ácido úrico. Muito mais raro é o caso do tipo hereditário de pedras de cistina e, ainda mais raros, são aqueles ligados a outras doenças hereditárias.

P: Mas, pelo que sei, o número de doentes com pedras nos rins tem vindo a aumentar?

R: Por múltiplas razões, o número de doentes com pedras nos rins tem vindo a aumentar ao longo dos últimos 20 anos. Apesar do número de doentes com pedras ser maioritariamente do sexo masculino, o número de mulheres tem também vindo a aumentar. O clima, a reduzida ingestão de água e as dietas ricas em sal desempenham um papel importante na formação de pedras no sistema urinário e, posteriormente, o aparecimento de cólicas renais. Existem certos alimentos que podem promover a formação de pedras em pessoas mais suscetíveis. Existem também fatores como a história familiar ou pessoal, como por exemplo, a existência de determinadas doenças, infeções urinárias de repetição, que podem constituir um fator de risco para a formação de pedras. 

P: O que quer dizer que qualquer um de nós pode ter pedras no rim e não saber e não ter sintomas?

R: Sim, isso é verdade. É claro que existem determinados aspetos, como por exemplo, doenças familiares, alterações anatómicas ou antecedentes de cólicas renais em idade precoce, que constituem um fator de risco para o desenvolvimento de pedras nos rins. Claro está que, por isso, o desenvolvimento de pedra pode ocorrer e o doente não ter qualquer sintoma, até o primeiro episódio de cólica renal.

P: Mas se um doente efetuar um Rx pode imediatamente saber se tem ou não pedras nos rins?

R: O Rx e a ecografia são exames que nos dão informações importantes sobre a existência de pedras ou não, mas existem outros. Por exemplo, o TAC, que nos permite não só diagnosticar e localizar com grande precisão os cálculos como também poder programar um eventual tratamento se for caso disso.

P- Mas então o tratamento das pedras não é realizado quando estamos perante um quadro de cólica renal?

R: Temos de diferenciar dois tipos de doentes: o doente em situação urgente/ aguda com quadro de cólica renal e aquele que não se encontra em situação aguda, a quem se pode programar o tratamento, podendo em ambos os casos passar por uma cirurgia ou por tratamento médico.

P: Mas, quando falamos em cirurgia por pedra nos rins, falamos em que tipo de cirurgia?

R: Aqui temos a tecnologia ao lado da Urologia, uma vez que a vulgar cirurgia para remover pedras já não se pratica nos dias de hoje, salvo raríssimas exceções. Atualmente, através da uretra, bexiga e rim, chegamos à pedra ou chegamos diretamente ao rim através de um orifício com 2 cm, quando estamos a falar em pedras com um tamanho superior a 2/ 3 cm.

P: De qualquer forma, após termos conhecimento que temos pedras nos rins, o que devemos fazer?

R: A discussão com o seu Urologista é fundamental para planificação do seu diagnóstico, tratamento e adoção de um estilo de vida que não potencie quer o crescimento das pedras já existentes, quer a formação de novos cálculos. A adoção de uma dieta adequada, ingestão hídrica abundante, evicção da ingestão de alimentos ricos em oxalato, como vegetais de folhas verdes, nozes, chá ou chocolate devem ser aspetos a ter em conta.


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